elvira vigna: "o que deu pra fazer em matéria de história de amor"

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Na sua última newsletter, a @alinevalek disse que Elvira Vigna a transformou. Coincidentemente, um tempinho antes de receber o e-mail na minha caixa de entrada, comecei a ler "O que deu para fazer em matéria de história de amor", da Elvira. Estava ensaiando começar outros livros, mas seus modos de narrar não me pegavam assim, de surpresa. Até que iniciei, pelo Kindle, meu primeiro livro da escritora e, quando vi, já tinha sido fisgada (a começar pelo título).

O livro conta a história de uma mulher de meia-idade que não tem nome, e é a narradora que nos acompanha em 1ª pessoa. Ela está em um apartamento no Guarujá, esvaziando e arrumando os cômodos para que seja logo vendido. E, então, ela começa a se debruçar na história das pessoas que moravam lá, Arno e Rose, mas que morreram. Algumas passagens ela consegue resgatar, mas, outras, ela imagina, deduz, e acaba descobrindo coisas que não queria nem saber. Ao mesmo tempo, reflete sobre o seu relacionamento com um homem, filho de Arno e Rose, chamado Roger. Numa tentativa de entender a história dos outros, ela procura, quem sabe, nessa caminhada, entender a sua própria.

"O que deu para fazer em matéria de história de amor" é dividido em três partes e possui uma narrativa que, por vezes, nos confunde. Não sabemos ao certo de qual das personagens a narradora fala. Às vezes, precisei voltar atrás e reler algumas frases. Mas acho que era, na verdade, o objetivo da Elvira, porque essa pessoa que nos fala, está sempre em dúvida em relação às coisas e à si mesma. Faria todo sentido. “A literatura serve para te desestabilizar”, disse ela em uma entrevista. Foi uma leitura tão deliciosa que fiquei triste por vê-la acabar, e me deixou com muita vontade de conhecer muito mais da mesma autora. Elvira me transformou também. Quando crescer, quero escrever como ela um dia.

"Imigrantes. Todos nós o somos, hoje. Quando a viagem não nos move, é o entorno que nos foge, o que dá no mesmo. Ficamos então parados, com tudo o mais indo, imigrantes a tentar entrar, todos os dias, em nós mesmos."

Gabi Barbosa