júlia lopes de almeida: "a falência"

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Hoje tem encontro do @leiamulheresbh sobre esse livrão da Júlia Lopes de Almeida: "A falência", redescoberto há pouco tempo, um clássico tão desconhecido. Desconhecido também por mim. Esse ano, ganhou uma edição laranjinha — que eu, particularmente, amo! — tão merecida da @penguincompanhia.

É assim que percebemos o quão necessário é não só ler mais mulheres, mas primeiro tentar resgatar historicamente o que escreveram, quem são as escritoras dos séculos passados, como viveram suas vidas. Muitas vezes, é um trabalho quase impossível, afinal, a elas, durante tempo demais, não era permitido ler ou escrever. Aqui no Brasil, a professora Constância Lima Duarte (UFMG) têm várias pesquisas relevantes sobre o tema.

A leitura de “A falência” (1919) demorou a engatar — estava meio desacostumada com o estilo da escrita do início do século XX, né — mas logo me fisguei, lembrando um pouco as obras de Jane Austen. O livro conta a história de Francisco Teodoro um magnata do café, em busca de uma esposa. É assim que Camila entra no enredo, logo constituindo uma família com quatro filhos, Mário, Ruth, Lia e Rachel. Enquanto Camila mantém um relacionamento extraconjugal, Francisco faz planos ambiciosos, porém inseguros, de novos negócios.

A falência, de qual fala a escritora, é não só a falência material da família — é a falência de velhos pensamentos que são permeados pelo machismo, racismo, classismo, dos modelos tradicionais de família. Gostei principalmente da Ruth, com ideias que diferem do normativo, questionando o tratamento que as tias davam às criadas. Acho interessante, ao ler esses livros hoje, tentar imaginar como foram recebidos à época do seu lançamento. A escritora ainda participou da fundação da Academia Brasileira de Letras, mas não pôde tomar posse porque era mulher.

Fica a dica: aproveitem para ouvir os episódios dos podcasts #ClassicxsSemClasse (da @blankgarden) e do Papo de Pinguim sobre o livro!

Gabi Barbosa